Quando Usar Nesses Ou Nestes
Quando usar nesses ou nestes é uma dúvida comum em português, pois ambos pertencem à mesma família de palavras, mas indicam posições relativas diferentes em relação ao falante e ao contexto.
Entendendo a base: a origem comum de "esses" e "estes"
Antes de mergulhar no uso prático de quando usar nesses ou nestes, é essencile compreender que ambos são pronomes demonstrativos, ou seja, palavras que substituem substantivos ao mesmo tempo que indicam a localização do objeto em relação ao sujeito da fala. Eles são flexionados em número e, no caso do português, em gênero, concordando com o substantivo que substituem. A regra base é simples: "esses" e "estes" são usados para substituir coisas que já foram mencionadas ou que estão presentes no contexto, evitando a repetição do substantivo original.
Enquanto isso, a escolha entre um e outro depende da distância física ou simbólica entre o objeto e o falante. Visualize um eixo invisível que parte do próprio falante: as coisas mais próximas a ele caem no campo de "estes", já as que estão mais distantes, seja fisicamente ou em termos de relevância imediata, são apontadas por "esses". Esta distinção espacial é a chave para aplicar corretamente cada um dos pronomes em qualquer situação, seja em uma conversa casual, numa mensagem de texto ou em um texto acadêmico.

A regra da proximidade: quando o objeto está mais perto de quem fala
A regra de ouro para quando usar nesses ou nestes está na palavra "próximo". Use estes para falar sobre algo que está literalmente perto do falante ou que foi apenas mencionado por ele mesmo. A ideia central é a proximidade imediata, que pode ser física — como um objeto na mão de quem está falando — ou contextual, como um conceito que acabou de ser introduzido na conversa.
Por exemplo, se alguém está segurando dois livros e quer falar sobre um deles, diz "Estes livros são meus". A proximidade física é evidente. Em um contexto de aula, um professor que acabou de escrever uma fórmula no quadro pode dizer: "Estas fórmulas são fundamentais para a prova", referindo-se diretamente ao que acabou de apresentar. Portanto, o uso de estes cria um elo de imediata identificação entre o falante e o objeto, reforçando a ideia de "agora mesmo" ou "aqui comigo".
- Objeto segurado ou próximo ao falante.
- Assunto já introduzido pelo próprio falante.
- Situações que exigem ênfase na imediatade ou na relevância direta.
A regra da distância: quando o objeto está mais longe do falante
Em contrapartida, a função de quando usar nesses ou nestes se inverte radicalmente quando o objeto está mais afastado. Use esses para designar pessoas, lugares ou coisas que estão fisicamente distantes ou que, embora presentes, têm um grau de relevância ou intimidade menor em relação ao falante. A distância aqui não é apenas geográfica, mas também pode ser de intimidade ou tempo.

Imagine uma cena: duas pessoas estão conversando e, ao longe, avistam um grupo de amigos. Elas podem apontar e dizer: "Lá estão esses amigos chegando". A distância as tornou "menos íntimas" no momento da fala. Em um contexto familiar, uma mãe pode falar para o filho: "Não chore, esses homens estão apenas brincando", referindo-se a pessoas que estão fora do seu círculo de proximidade imediata. A escolha por esses cria uma separação, seja ela física, emocional ou contextual.
Exemplos práticos em situações cotidianas
Para fixar melhor a diferença, observe como a preposição "em" se combina com esses pronomes, formando "nesse" (contração de "em" + "este") e "nesses" (contração de "em" + "esses"). Esta contração é muito comum em linguagem falada e escrita, e ajuda a reforçar a ideia de localização.
- Nesse caso: Use quando o caso ou situação está próximo ao falante. "Falamos sobre isso nesse caso específico".
- Nesses dias: Indica um período recente, próximo ao presente. "Estivemos muito ocupados nesses dias".
- Nessa hora: Refere-se a um momento próximo. "Precisamos agir nessa hora".
- Nesses problemas: Fala sobre dificuldades que o falante está enfrentando ou vendo de perto. "Estou me esforçando para resolver esses problemas".
Do lado oposto, temos as contrações com esses, que indicam distância:

- Nesses (em + esses): "Prefiro as ideias nesses assuntos".
- Nesses (em + esses): "As respostas estavam escondidas nesses pastas".
A exceção cultural e o português do Brasil versus Portugal
É crucial mencionar que o uso de quando usar nesses ou nestes pode variar significativamente entre o português falado no Brasil e o português falado em Portugal, especialmente no que diz respeito a estes e esses. No Brasil, é bastante comum, especialmente no falar informal, usar esses e aquelas de forma mais generalizada, muitas vezes substituindo estes em situações de proximidade. Porém, em Portugal, a regra é geralmente mais prescritiva e rígida, seguindo a lógica de distância descrita anteriormente.
Para quem busca fluência e clareza, especialmente em contextos formais ou de mídia, é mais seguro aderir à norma-padrão que distingue os dois. Em Portugal e em textos mais "oficiais" no Brasil, a regra deve ser seguida à risca: estes para perto, esses para longe. Já no Brasil informal, você ouvirá frases como "Vem cá, esses aqui são meus" mesmo que a pessoa esteja literalmente nas mãos, uma licença creativa que, embora compreensível, não é aceita em todos os registros.
Conclusão: dominar a proximidade para uma comunicação eficaz
Dominar quando usar nesses ou nestes é dominar a arte de posicionamento linguístico. Não se trata apenas de gramática, mas de construir significado através da relação espaço-temporal entre quem fala e quem escuta. A chave está sempre na proximidade: use estes para o que está junto, seja fisicamente ou contextualmente, e esses para o que está distante, criando assim uma teia de referência clara e precisa na sua comunicação.

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